quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Uma pergunta sobre o filme " Os Cavalos Também Se Abatem"

O filme que vimos ontem, suscita-me uma questão que gostava de vos colocar aqui, aguardando os vossos comentários:

Num período de crise económica e social, até onde podem ir os limites da dignidade humana? Para podermos sobreviver, vale tudo?

Como repararam, os pares que dançam incessantemente, sujeitam-se a todo o tipo de humilhações para poderem ambicionar o prémio para os vencedores. Degradam-se, são espezinhados (vejam o caso da corrida) são apresentados como animais de circo, para poderem comer e sobreviver.

Valeu a pena o seu esforço? Vale a pena sofrer este tipo de humilhações? E se a alternativa for a fome?


Jorge

2 comentários:

  1. Antes de responder às perguntas, queria dar os meus parabéns pelo site, pois está bastante bom!
    Nesta sociedade em que vivemos, onde o motor desta máquina incessante é o dinheiro, o que não faltam são exemplos destes, nacionais e internacionais, como "a casa dos segredos" ou a "peso pesado" (neste último existe inclusivé um esforço físico tão pesado como o presenciado no filme). Estes "concursos" (faço aqui alusão a um diálogo do filme entre o "dono" do concurso e a mulher, que para os dançarinos, aquilo pode ser um concurso mas para os visitante e um espectáculo) que metem em causa a dignidade humana.
    Quais são os limites? Não sei, acho que é esperar para ver, porque "if there is any hope, it lies on the proles", que penso serem são os maiores visualizadores destes "concursos"
    Em relação se vale a pena este tipo de humilhações? Penso que não, mesmo que a alternativa seja fome ( para mim nunca é sequer hipótese, não se pode é comer caviar todos os dias não é?!), pois a única forma de vivermos felizes é vivermos em conformidade com nós mesmos, e metermos em causa, a nossa e a dignidade do ser humano, nunca vale a pena sofrer a miséria independentemente dos resultados que possam resultar disto.

    Espero por outros comentários

    David Henrique

    ResponderExcluir
  2. Olá, David Henrique

    Parabéns pelo teu comentário. Espero que seja o primeiro de muitos.

    Eu acho que o problema é complexo. Repara na crise que se abate neste momento em Portugal. Milhões de portugueses foram atirados para uma situação de fome (ou perto disso) por uma situação que outros criaram mas de que eles são as principais vítimas. Como responder em tempos de crise tão aguda?

    Provavelmente as pessoas tentarão as saídas individuais. Os concursos televisivos, o euromilhões, noutros casos mais desesperados, a prostituição. Afinal, a presença daqueles pares no concurso de dança, com todas as humilhações a que são sujeitos, mais não é do que uma forma de prostituição. Sinceramente, não os posso criticar.

    As pessoas vivem a ilusão de que as soluções individuais podem resolver as suas crises pessoais. É nos tempos d maior crise que recrudescem os concursos tipo Euromilhões e Totoloto. Claro que a esmagadora maioria nada ganhará, tal como os pares do concurso.

    O problema,é que as únicas saídas possíveis, são colectivas e não individuais. E levarão muito tempo a concretizar-se. Além de que não farão de nós ricos. E a maioria das pessoas não pode nem quer esperar para mudar este estado de coisas.

    Jorge

    ResponderExcluir